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Alexandre Abdala Karpus
Prevenir Para não Remediar "Maus hábitos são como uma cama confortável: fácil de se deitar nela, mas difícil de sair”. Autor Desconhecido A prevenção torna-se, então, o principal objeto de estudo neste trabalho. É nela que temos aumentadas as probabilidades de alçar a “vida abundante”, além disso, evitar o aparecimento de moléstias que nos levem a remediar, ação esta provada como inadequada, pois sua única possibilidade é combater os efeitos e não a causa que cedo ou tarde irão aparecer para cobrar caro. O problema maior é que a cultura brasileira está voltada a remediar. A automedicação é largamente praticada, pois poucas pessoas têm acesso a um atendimento médico digno, e aquelas que o têm, não o fazem. Além disso, vemos nas praças vendedores de pacotinhos com ervas medicinais, usando a cultura popular como mercadoria, portando-se como gurus da era moderna, vendendo anticelulite, cartilagem de tubarão, unha-de-gato, ginko biloba, etc., não somente nesses lugares esdrúxulos, como também no rádio e na televisão, objetivando lucro fácil, não dando valor à saúde humana, julgando que ela pode ser comprada. A ação desses medicamentos é considerada inócua e, na maioria das vezes, piora o quadro de enfermidade ou patologia. Tenho, através deste pequeno trabalho, a mesma esperança dos autores do livro Mude sua Vida: A despesa de custeio da assistência médica e dos seguros de saúde, assim como as crescentes complexidades da medicina moderna, estão demonstrando claramente que o futuro desse campo de atendimento individual, está na atividade preventiva. Isto trará mudanças importantes no estilo de vida de milhões de pessoas que se alimentam de maneira pouco saudável, fazem poucos exercícios físicos e se habituaram ao stress (Rusk & Miller, 1991, 196). Um Aliado Poderoso – O Movimento do Corpo "Toda parte do corpo se tornará sadia, bem desenvolvida e com envelhecimento lento se exercitadas; no entanto, se não forem exercitadas, tais partes se tornarão suscetíveis a doenças, deficientes no crescimento e envelhecerão precocemente”. Hipócrates Ao longo da história, o movimento se fazia presente na rotina de todo ser humano, sempre em conformidade às necessidades de sua época: Caçar, pescar, andar, escalar, guerrear, etc. Porém, essa relação entre movimento e rotina diária veio diminuindo com o passar das eras. Provavelmente, ela tenha começado ao descobrirem a “roda”. Há de se entender que a essência da vida é o movimento. Ora, somos pó, e isso demonstra que nosso corpo é constituído de partículas do Universo criado por Deus. Este Universo está em movimento. É por isso que nós, mesmo parados, estamos em movimento. Porém, em uma certa altura do caminho pelo planeta, o homem tomou um atalho. Fugiu da essência do seu ser físico e procurou mais conforto e comodidade, gerando esta desconfortável sociedade atual. Assim, esse ser que caminhou por milhares de anos tornou-se, de repente, sedentário, enfurnado em casa, locomovendo-se sobre rodas, subindo escadas rolantes, usando elevadores, passando horas em frente ao computador e à televisão para que, com isso, tivesse uma vida mais cômoda e confortável. Em contrapartida, nossa sociedade priorizou o trabalho intelectual em detrimento do físico, o que, em certos aspectos, é extremamente positivo. Porém, do ponto de vista da saúde orgânica, isso é um desastre. O resultado: um organismo atrofiado, cercado de doenças, mentalmente frágil e fisiologicamente desequilibrado. (RIBEIRO, 2004, 129). O movimento do homem precisa ser desenvolvido e trabalhado de uma maneira consciente, com vistas à adequação ao seu estilo de vida, procurando sanar suas carências de movimento, cujo objetivo principal não é a competição, e sim a busca por uma melhor qualidade de vida, tanto pessoal quanto social e profissional. "Atividade física não é apenas uma das mais importantes chaves para um corpo saudável – ela é a base da atividade intelectual criativa e dinâmica." Esta frase de John F. Kennedy nos leva a entender que, se há algo de extrema importância a ser praticado para se ter saúde, ela se chama atividade física. O movimento do corpo pode ser denominado como “atividade física”, que pode ser dividida em duas categorias: Exercício Físico e Esporte/Desporto, cujas definições, segundo Conselho Federal de Educação: Atividade física é todo movimento corporal voluntário humano, que resulta num gasto energético acima dos níveis de repouso, caracterizado pela atividade do cotidiano e pelos exercícios físicos. Trata-se de comportamento inerente ao ser humano com características biológicas e sócio-culturais. No âmbito da Intervenção do Profissional de Educação Física, a atividade física compreende a totalidade de movimentos corporais, executados no contexto de diversas práticas: ginásticas, exercícios físicos, desportos, jogos, lutas, capoeira, artes marciais, danças, atividades rítmicas, expressivas e acrobáticas, musculação, lazer, recreação, reabilitação, ergonomia, relaxamento corporal, ioga, exercícios compensatórios à atividade laboral (do trabalho) e do cotidiano e outras práticas corporais. 1 – EXERCÍCIO FÍSICO : Seqüência sistematizada de movimentos de diferentes segmentos corporais, executados de forma planejada, segundo um determinado objetivo a atingir. 2 - DESPORTO/ ESPORTO: Atividade competitiva, institucionalizado, realizado conforme técnicas, habilidades e objetivos definidos pelas modalidades desportivas, determinado por regras preestabelecidas que lhe dá forma, significado e identidade, podendo também, ser praticado com liberdade e finalidade lúdica estabelecida por seus praticantes, realizado em ambiente diferenciado, inclusive na natureza (jogos: da natureza, radicais, orientação, aventura e outros). A atividade esportiva aplica-se, ainda, na promoção da saúde e em âmbito educacional de acordo com diagnóstico e/ou conhecimento especializado, em complementação a interesses voluntários e/ou organização comunitária de indivíduos e grupos não especializados. A Atividade Física – Como Fazer Quero, portanto, dar alguns conselhos para os ministros, com relação à atividade física e ao zelo do corpo. Isso não exclui a consulta a um profissional médico para avaliação de seu quadro clínico e também a elaboração de programa de exercícios por um profissional de educação física. A Internet possui farto material, extremamente atual com relação ao tema da atividade física. Também deixarei no final deste trabalho um conjunto de livros que ajudarão, e muito, para alguma consulta nesta área. A atividade física funciona como uma espécie de “cutucão” que o organismo recebe para trabalhar melhor. Esse estímulo o faz reagir, levando-o à transformação e ao desenvolvimento. É o que diz o professor Nuno Cobra, mundialmente famoso, que foi personal trainer de muitos atletas consagrados, entre eles Gil de Ferran e Ayrton Senna: Fisiologicamente o movimento provoca algo que é chamado de “estrago” pelos especialistas. Por que estrago? Sempre que alguém faz uma caminhada, por exemplo, tem um gasto de energia e provoca uma agressão ao organismo. Esse “estrago” pela lei da ação a reação provoca uma resposta orgânica. Imagine que o organismo esteja lá tranqüilo no seu processo natural de equilíbrio, vem o esforço e o desequilibra. O corpo, na busca do equilíbrio perdido, funciona a todo o vapor, estabelecendo uma serie de adaptações que provocam uma seqüência de transformações orgânicas, denominada “supercompensação”. A pessoa vai então ao nível que estava anteriormente, mas agora com um pequeno progresso. Fazendo novamente o exercício, a pessoa tem mais um “estrago” para provocar a supercompensação, e ter mais avanço. O que vai acontecer? Lá na frente depois de vários “estragos” e da supercompensação, a pessoa alcançará um nível superior de condição física. Mas se a palavra para definir o desgaste físico é estrago, é porque realmente ocorre uma violência contra o organismo. Só que é justamente o estrago que força a reação orgânica para a transformação física, propiciando à pessoa atingir um nível superior ao que estava antes (Ribeiro, 2004, 147). Após esta clara exposição sobre o que o exercício físico causa ao nosso organismo, podemos dividi-lo em duas categorias, pois sua fisiologia e objetivos são diferentes. O exercício pode ser isotônico, ou seja, de baixa intensidade e de longa duração. A baixa intensidade denota movimento, com um esforço moderado, sem muita força. São exercícios de resistência muscular, permitindo, assim, um grande número de repetições leves, por um tempo extenso. É o exercício isotônico que usa, após 20 minutos, predominantemente gordura (lipídios), que precisa da presença de oxigênio para gerar energia e, portanto, é o mais indicado para aqueles que querem perder peso e melhorar sua performance cardiorrespiratória. A caminhada, a natação e o andar de bicicleta são exemplos básicos de exercício isotônico. Já o exercício isométrico tem como definição um movimento de alta intensidade e baixa duração. É um exercício localizado e de força, que leva o músculo à exaustão rapidamente. Sua principal fonte de energia é o carboidrato (açúcares), que não precisa de oxigênio para ser usado. Seu objetivo é o aumento da força do músculo e, por isso, aumenta seu tamanho. A musculação, a flexão de braços, os abdominais são um exemplo básico de exercícios isométricos. Como Começar Este é o seu momento. Você tem momentos para Deus, para a família, para a Igreja, para os amigos, para o trabalho, para a televisão, para o “trânsito”, para tudo, menos para você. Por isso, eu repito: este é o seu momento. Você é a prioridade agora. Nada nem ninguém mais. Não assista à televisão, não leia jornal (há pessoas que fazem isso enquanto pedalam na bicicleta). Coloque em sua mente aquilo que você vai fazer para si e prepare seu corpo para isso. Todos nós preparamos sermões para pregar, você precisa estar preparado para não fazer feio. Assim também é o nosso organismo, ele é a prioridade agora. Desligue o celular, você está em uma reunião, uma das mais importantes de sua vida. A reunião da sua alma e do seu espírito com seu corpo. O que Usar: Material Desportivo Escolha roupas leves dê preferência ao algodão e a roupas que não sejam coladas ao corpo, objetivando uma maior evaporação do suor, para a manutenção da temperatura corporal em níveis recomendáveis. Utilize tênis apropriados ao tipo de atividade: uns para andar, outros, para correr, jogar tênis, futebol, etc. Sua importância é extrema, devido ao impacto que sofremos durante a prática; seu tipo de solado ameniza e previne o surgimento de dores decorrentes do estresse físico em algumas regiões articulares e ósseas. Um boné é bom para proteger o rosto dos raios solares ou, então, passe um protetor solar indicado para o seu tipo de pele. Quanto ao Local e Horário Procure exercitar-se pela manhã, num local em que os raios solares são menos intensos e também onde o índice de poluição é mais baixo. Os locais mais propensos a um exercício prazeroso são junto a parques, lagos ou praias. Evite exercitar-se junto a avenidas de grande movimento, pois seu corpo precisa captar oxigênio, para queimar gordura, e não monóxido de carbono, que é extremamente danoso para a hemácia (célula responsável pelo transporte de oxigênio, até os tecidos). Caso não seja possível, fuja, pelo menos, dos horários de sol quente e também não se exercite num horário muito próximo ao de dormir, pois é necessário um tempo razoável para que o corpo desacelere seu metabolismo e volte aos mesmos padrões de repouso. Caso isso venha a ocorrer, note que você terá dificuldades para pegar no sono. O que Praticar e com que Freqüência Quando falamos em exercício físico, é bom fazer uma modalidade individual, pois ela deve depender somente de você, e não de um certo número de pessoas. A natação, a bicicleta, a caminhada ou a corrida são os mais indicados. Para a natação, você precisará pagar uma academia ou clube, o que pode ser dispendioso para alguns, salvo se morar junto ao litoral. A corrida é para aqueles mais avançados, que já tem uma fisiologia (adaptação orgânica voltada para um determinado fim) cardíaca razoável. A bicicleta tem sua vantagem por não gerar impacto, mas precisa ser executada em terreno plano e sem interrupções. Já a caminhada é a grande vedete dos principiantes e daqueles que querem ter uma vida ativa sem gastar nenhum recurso mensal e realizar algo que realmente terá resultados em curto prazo, sem riscos para a saúde. Quanto à freqüência, ela depende da disponibilidade de tempo e da intensidade do exercício. A OMS estabelece que o indivíduo que faz atividades “aeróbicas”, no mínimo, três vezes por semana, durante 30 minutos ininterruptos, já não é considerado sedentário e passa a não-alvo de uma série de enfermidades a ele relacionadas (ao sedentarismo). É o que diz o professor Fausto Arantes Porto, proprietário do site Saúde em Movimento e autor do livro: Como Montar um Centro de Treinamento Personalizado – SEBRAE: Tipo de atividade praticada: Escolha desse quesito passa pela interpretação do estado de saúde, nível de condicionamento físico, objetivos perante a prática das modalidades e afinidades pessoais, com a união desses fatores aumenta a possibilidade de permanência ao estilo de vida ativo. Seria interessante incluir a variabilidade na escolha (praticar mais de um tipo de atividade), outro ponto seria a necessidade de associar o trabalho aeróbico, com o trabalho de força ou localizado e o trabalho de flexibilidade formando um programa completo em ternos de promoção da saúde. Mas o que deve ser ressaltado é o investimento continuo no futuro onde as pessoas devem buscar formas de se tornarem mais ativas em suas rotinas diárias, subir escadas, sair para dançar, praticar atividades como jardinagem, lavar o carro, passear no parque , a palavra de ordem é movimento. Freqüência semanal de prática - quanto a esse item existe uma relação direta com a intensidade do esforço, não se deve exercitar menos de 3 vezes por semana com o risco de não haver benefícios fisiológicos e cargas de trabalho muito intensas necessitam de repouso para regeneração após o esforço, mas para iniciantes e cargas de trabalho leves a moderadas a recomendação é para a prática na maioria dos dias da semana. Intensidade das atividades - esse é o grande problema a ser equacionado, porque sua definição passa pela individualidade biológica onde cargas muito leves não trazem benefícios e cargas muito pesadas podem ser prejudiciais, mas se o objetivo é a promoção da saúde os estudos apontam como limiar mínimo de proteção cargas de leves a moderadas e recomendam a importância da regularidade e continuidade do trabalho, porque com a adesão ao um estilo mais ativo, geralmente existe uma progressão natural da intensidade do trabalho. Cabe aqui ressaltar e deixar muito claro que o exercício abdominal não tira barriga. A barriga (gordura depositada na região ventral), só diminui se tivermos um gasto calórico maior do que ingerimos como alimento, que são calorias ingeridas. A gordura em excesso, se acumula principalmente na barriga e só pode ser queimada ou gasta em atividades de longa duração (exercício isotônico e aeróbico) como caminhada, corrida, etc. O exercício abdominal (exercício isométrico e anaeróbico) fortalece o músculo abdominal, que é extremamente importante na manutenção de uma postura adequada e também na prevenção de lesões decorrentes de uma má postura na coluna vertebral, principalmente na região lombar. Se você tem dor nas costas 80% dela é decorrente da má condição do músculo abdominal e por isso sua coluna é sobrecarregada. O alongamento também é de extrema importância para a manutenção de saúde. É ele que dá maior amplitude às articulações, músculos e tendões, evitando lesões. Ele deve ser feito antes e depois do exercício físico. Antes, de uma maneira mais branda e depois com maior amplitude, pois o músculo aquecido permite uma maior amplitude de movimento, melhorando assim a eliminação do acido láctico (substância tóxica, resultante do metabolismo muscular que provoca dores musculares após o exercício), pois favorece a circulação, aumentando a irrigação e oxigenação do sangue nos músculos.
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