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Thelma C. de Canhete Valores Humanos e Festas Infantis O que observei nestas festas, ao contrário da proposta inicial, foi a falta de integração das crianças. Fascinadas pelos brinquedos diversos, muitas chegavam e nem cumprimentavam os aniversariantes. Sem falar na caixa reservada para o depósito dos presentes, parecendo mais um passaporte para as horas de entretenimento. O aniversariante não abriu quase nenhum pacote e quando o fez, foi tempos depois de ser entregue. Por conseqüência não sentiu aquela emoção deste gesto, ou seja, de receber o carinho de um amigo ou conhecido (talvez aí estivesse uma oportunidade para estreitar os laços com os "menos chegados" da classe). Aprendemos que aniversário é uma data especial, ocasião para confraternizar com as pessoas que gostamos e reforçar os laços de amizade. Entretanto, o que ocorreu nestas festas parece ter distorcido este sentido. Parecia mais um evento de lazer que um encontro humano. Impessoal. Não estariam aí alguns valores sendo transmitidos de uma forma oculta - Ou seja: " o outro vale pelo que tem" , “o outro me serve como degrau ou instrumento para um benefício próprio"? Quantas vezes não somos testemunhas de atos na vida adulta que trazem esses pressupostos? Daí surge a dúvida: então o que fazer? Convidar todos ou apenas aqueles "mais chegados"? Trazer pessoas para casa ou alugar um buffet? Diante destas escolhas, vale lembrar que as crianças absorvem idéias e sentimentos todo o tempo. Que tipo de mundo queremos para nós e para elas? É necessário resgatar o sentido e a importância da amizade e suas formas de celebração, para não transmitirmos, de forma inconsciente, valores que muitas vezes combatemos.
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