Psicologia Infantil e Adolescente

Claudia D'Andretta
CRP 67.808
Atua em Psicologia Clinica e Organizacional
São Paulo – SP
E-Mail: claudia@centraldepsicologia.com
WebSite: www.centraldepsicologia.com
Obs: Psicóloga clínica de seguindo a linha breve de orientação psicanalítica e consultora de carreira e RH. Mantenedora deste site.

Desobediência pode revelar outros problemas
Entrevista concedida a www.padremarcelo.com.br em 24/06/2006, por Rodrigo Herrero

O que pode levar uma criança não obedecer a seus pais?

Hoje em dia, por muitos momentos, a comunicação entre pais e filhos é prejudicada pelas tarefas do dia a dia, fazendo com que se crie uma discrepância de interesses comuns dentro de uma família. A criança, quando é entendida e segura, valoriza e necessita de regras, e tende a obedecê-las, pois se sente protegida pela autoridade dos pais. No caso de desobediência, dois fatores podem estar provocando a negação das regras: o primeiro é o não entendimento, por parte da criança, daquilo que está sendo imposto ou o não diálogo e atenção dos pais para que a criança saiba o porque da regra imposta. O segundo é a negação da regra por parte da criança, onde entram os comportamentos de rebeldia. Neste segundo momento, esses comportamentos significam que a criança não está sendo ouvida o suficiente e que as regras impostas não sentidas como proteção, mas como castigo e desrespeito, resultando em birras e malcriações. Neste momento, a responsabilidade de esclarecer e orientar os filhos é totalmente dos pais. A bíblia ensina os pais a respeitarem seus filhos: Efésios 6:4 - E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor. Colossenses 3:21 - Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo.

O problema pode estar na criança ou na educação dada pelos pais?

Cada pessoa, adulto ou criança, tem um nível diferente de tolerância às frustrações e isso é o que caracterizam as reações frente as limitações da vida. Uns são bem tolerantes, outros não toleram nada.

Já nascemos com algumas características dessas, mas cabe aos pais mostrar – delicadamente e de forma muito bem explicada – que nem tudo é feito conforme nossa vontade e que devemos respeitar os limites impostos pela sociedade para convivermos de forma saudável com o mundo afora. Isso não quer dizer que não existam crianças com nível de tolerância muito baixo, que não suportam ouvir a palavra “não”. Assim sendo, os psicólogos disponibilizam tratamentos adequados para que o nível de tolerância da criança seja desenvolvido e ela aprenda a lidar com as regras. Também não podemos esquecer que o comportamento dos pais é o grande influenciador – não há como ensinar limites se na nossa vida não soubermos lidar com eles, não respeitarmos e não sermos respeitados.

Como ganhar o respeito da criança?

A proximidade e a escuta íntima e verdadeira dos pais em relação aos filhos os deixarão seguros para confiarem em suas decisões. Quando confiamos em alguém, fica mais fácil respeitarmos e levarmos em consideração o que esta pessoa nos diz. É a mesma coisa com a criança. Para exigir respeito, devemos respeitar também.

Estabelecer regras e dar recompensas pelo cumprimento delas pode ser uma saída?

Não é a saída mais saudável, porque a criança só cumprirá a regra barganhando e nem sempre ganhamos algo em troca quando respeitamos limites, às vezes o cumprimento da regra ou tarefa já possui uma recompensa embutida. Dessa forma, obedecer a regras gera recompensas imediatas e não há necessidade de recebermos além do que é proporcionado, para não desvalorizarmos o resultado do nosso bom comportamento.

Por exemplo: ao não atravessar um semáforo vermelho automaticamente se respeita aos pedestres e aos automóveis do cruzamento, mas se não o fizermos, receberemos uma penalidade, que é a multa.

Usar a velha “palmada” ou a repreensão através da bronca ajuda ou prejudica?

Segurar com força os braços de uma criança ou dar umas palmadas significa que o diálogo fracassou e que foi necessário impedir fisicamente que ela continuasse a se comportar de modo inadequado. A bronca com gritos também tem o mesmo significado, pois fazemos a criança ouvir “à força” o que queremos. A melhor solução é usar a cabeça – conversar, entender e se fazer entender. Não podemos esquecer, porém, que cada caso é um caso e que pode haver situações em que palmadas não farão mal. Para saber que situações são essas, deve-se procurar orientação de um psicólogo, que avaliará o caso e irá propor o tratamento adequado.

A melhor forma de educar continua sendo pelo amor?

Pelo amor e pelo ouvir. Ouvir de verdade as necessidades de seu filho fará com que ele se aproxime de você, confie e respeite. Se você é capaz de ser um pai ouvinte, terá um filho seguro e confiante.

O que os pais devem fazer para reverter essa desobediência?

Comecem tudo de novo a cada dia. Comecem a ouvir, a respeitar, a ter tempo de discutir assuntos, de contar histórias, de delegar tarefas e realizar juntos. Com o tempo a desobediência enfraquece e dá espaço ao diálogo. Você pode mudar de idéia conversando com seu filho, porque às vezes, a regra imposta por você não tem valor ou objetivo nenhum, saiba o que seu filho acha dela e você aprenderá uma outra forma de viver. Confie no seu filho. Ele será seguro e feliz.