Psicologia do Adolescente

Milena Aragão
Psicóloga atuante na Clínica
CRP: 07/15716
Caxias do Sul/RS
E-Mail: mi.aragao@yahoo.com.br
Website: www.milenaragao.kit. net

Considerações a cerca da criança no ambiente hospitalar


A hospitalização na infância é um processo que muitas vezes pode acarretar algumas dificuldades no desenvolvimento infantil e requer muita paciência e investimento, tanto da criança quando dos pais.

Esse processo desencadeia emoções muito peculiares e aspectos inerentes a este tipo de situação, tais como: sensação de abandono, medo do desconhecido, sensação de punição e culpa, limitações das suas atividades e aparecimento ou intensificação da dor física, podendo variar sua intensidade conforme o período de desenvolvimento da criança. (Chiattone, 1984)


Sensação de abandono:

A criança que permanece internada sem a presença de um familiar se sentirá abandonada. Este sentimento é mais intenso e freqüente na faixa dos 0 aos 3 anos de idade. A partir dos três anos, geralmente existem melhores condições de contornar esta sensação de abandono, pois nesta idade ela amplia sua capacidade verbal, ampliando também sua capacidade de compreensão. Isto não quer dizer que crianças maiores de três anos podem permanecer sozinhas durante a hospitalização, mas estas têm melhores condições de elaborar esta situação.

Vários “efeitos” puderam ser observados em decorrência da separação da criança doente e sua mãe, tais como: retardo do crescimento e do desenvolvimento, suscetibilidades à infecções, perturbações nutritivas e digestivas, dermatoses, manifestações psicossomáticas, distúrbios do sono, manifestações de desadaptação, hiperemotividade e variações de humor, diminuição da afetividade, desorientação, distúrbios de comportamento, indiferença, agressividade, depressão, regressão e perturbações da personalidade.

Na maioria das vezes a criança (e os pais) só fica sabendo da necessidade de internação no momento de ir para o hospital, o que complica ainda mais a elaboração desta situação.


Medo do desconhecido:

Este medo pode ser causado por alguns fatores, um deles é o fator primeira internação, uma vez que o hospital passa a ser um lugar bastante assustador à criança, por ser um ambiente totalmente novo. Lá ela encontrará uma cama diferente, quarto diferente, equipamentos estranhos e pessoas desconhecidas, ou seja, um ambiente a primeira vista amedrontador. A criança que já internou outras vezes também poderá apresentar este medo, uma vez que é possível deparar-se com procedimentos, equipamentos e pessoas estranhas.

O manejo desta situação poderia ser mais simples se a criança fosse informada, anteriormente à internação, sobre os procedimentos à que poderá ser submetida no Hospital, sendo mais fácil a elaboração destas informações.


Sensação de punição e culpa:

A criança poderá ver a doença como uma agressão externa, podendo sentir-se culpada, achando que é merecedora de tal situação dolorosa. Ela pode pensar que “errou” em alguma coisa e que o momento da internação é o momento da punição, do castigo, gerando grande sofrimento.

Muitas famílias reforçam este sentimento de culpa, por exemplo, quando dizem que se acriança andar na chuva ficará doente e terá que ir para o hospital. Entretanto, somente quando ela entender o verdadeiro sentido do aparecimento da doença poderá aliviar seus sentimentos de culpa.


Limitação de suas atividades:

A doença tende a limitar a movimentação das crianças por causa de dores físicas ou até mesmo pela dor psíquica.  Há então, a necessidade da criança brincar em ambientes mais livres, como uma salinha de recreação. Por este motivo, a equipe não deve desestimular estes comportamentos (as brincadeiras) da criança na Enfermaria, sendo esta uma maneira dela elaborar seus sentimentos, vinculando com outras crianças e adaptando-se ao novo local.


Surgimento ou intensificação da dor física:

A equipe de saúde da pediatria deveria estar preparada a atender as necessidades das crianças, procurando minimizar ao máximo seu sofrimento.

Algumas vezes as crianças são internadas com dores, sendo, então, submetidas a procedimentos dolorosos e assustadores, mas que acabam diminuindo ou amenizando as dores iniciais. Estas crianças conseguem aceitar melhor a internação, uma vez que seu sofrimento físico foi aliviado, sem, no entanto, deixarem de continuar assustadas.

Em outras ocasiões, a criança é internada sem queixas de dores; tendo dificuldade em aceitar a internação, e sendo submetida a procedimentos muitas vezes dolorosos, o que, para a criança, é difícil elaborar estas questões, pois muitas vezes esta não “sente-se” doente e não entende o porquê de ter que ser privada de tantas coisas. Nesta situação, torna-se difícil explicar para criança que deve permanecer no hospital ou que está doente. Nesse caso, a criança pode ver a equipe e a família como culpada pela sua dor e apresentar um comportamento hostil.

Diante disto, Chiattone (1984) afirma que os efeitos negativos causados pela  hospitalização às crianças e a tentativa de se humanizar esse atendimentos tem sido considerados e debatidos. Sabe-se que a hospitalização precisa ser bem compreendida pela criança, que se deve evitar sempre que possível situações difíceis e traumáticas durante esse período, que a criança necessita receber um suporte verdadeiro por parte da sua família e de toda a equipe de saúde envolvida em seus tratamento, para que, assim, ela possa ter condições de escolher como reagir à situações e como seguir seu caminho.


CHIATTONE, H. B. de C.  Relato de Experiência de Intervenção Psicológica Junto a Crianças Hospitalizadas. In: ANGERAMI, V. A. (ett ali)  Psicologia Hospitalar:  a atuação do psicólogo no contexto hospitalar.  São Paulo: Traço, 1984.