Paulo Bonanca
Psicólogo, Sexólogo
CRP 05/30190
Atua em Psicoterapia e Sexualidade Humana
Rio de Janeiro - RJ
E-Mail: paulopsi2000@yahoo.com.br
Website: www.paulobonanca.com
Obs: Psicólogo com especializacao em sexualidade humana, transtornos e disfuncoes sexuais. Coordenador do Aconselhamento em HIV-AIDS Grupo Pela VIDDA/RJ. Membro da SBRASH (Sociedade Brasileira de Estudos da Sexualidade Humana).
Conselheiro em Direitos Humanos pela Ágere Cooperação em Advocacy
O Psicoterapeuta e a causa GLS
Homoerotismo feminino e visibilidade social
O Psicoterapeuta e a causa GLS
Como uma reação frente ao preconceito social, no meio GLS esta se tornando comum, a prática de buscar um terapeuta sintonizado com as necessidades dos seus membros, sejam elas individuais ou grupais.
A busca de um profissional que aceite e acolha a orientação, a prática sexual e o objeto erótico-afetivo do cidadão(ã) GLS como uma expressão da capacidade afetiva dos seres humanos, ou uma expressão natural dos desejos, é fundamental para que ele não se encontre na difícil situação de ser discriminado por este profissional, ou seja, que reedite em seu trabalho o discurso homofóbico social.
Quando trago o tema da "psicoterapia" ou "terapia para gays", não estou colocando em discussão a homossexualidade ou bissexualidade como causa de transtornos psicopatológicos, já que independente do objeto de desejo, qualquer pessoa poderá apresentar em um determinado momento de sua vida dificuldades em seus relacionamentos, com sua auto-estima, auto-imagem ou outros problemas emocionais e afetivos.
Nos Estados Unidos a APA (Associação Americana de Psicologia), divulgou uma lista com alguns critérios que devem ser observados pelo publico GLS no momento de buscar apoio psicológico. Devido às diferenças culturais, não sou a favor de nenhum tipo de tradução por mais bem intencionadas que sejam, mas enfim, abaixo seguem alguns itens, use seu próprio critério e assertividade.
Com respeito à figura do terapeuta a associação americana recomenda:
- Que o psicólogo respeite e valorize como positivos os relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo.
- Que o psicólogo seja consciente das dificuldades que os membros do grupo GLS enfrentam devido ao estigma social, a violência física e a homofobia, e que estas dificuldades podem colocar em risco o bem-estar e a saúde mental deles.
- Que para o psicólogo, a orientação sexual de tipo homossexual ou bissexual não configura indicadores de enfermidade mental.
- Que o psicólogo seja consciente de suas próprias dificuldades, limitações e preconceitos, e que esteja sempre alerta frente à possibilidade de atuar frente ao paciente.
- Que a homofobia social é um fator relevante na auto-estima e na auto-percepção do paciente, e podem afetar a forma com que ele chega a terapia, assim como o processo terapêutico
- Que o conceito de casal e família do psicólogo seja amplo, e não restrito a duas pessoas de sexo oposto.
- Que a revelação da orientação sexual pode vir a ter um impacto negativo na relação do individuo com sua família, compreendendo as possíveis dificuldades que podem surgir tanto para o individuo que informa quanto para os familiares.
Como saber se o psicólogo tem as características mencionadas anteriormente?
Em caso de necessitar apoio psicológico e não conhecer um profissional que trabalhe o homoerotismo de modo afirmativo, as ONG's, revistas e jornais gays podem ser uma valiosa fonte de informação, assim como amigos que estão/estiveram em processo terapêutico também pode ser de boa valia.
Caso não tenha a quem perguntar, utilize os itens mencionados anteriormente, transforme-os em perguntas. Não tenha medo de perguntar, seja franco e honesto com você mesmo e com as suas necessidades e não aceite menos por parte do psicólogo.
Homoerotismo feminino e visibilidade social
A luta das mulheres por seus direitos, independência e autonomia faz parte de um processo histórico digno de estudos e teorias. Através da história mulheres fortes, valentes e destemidas enfrentaram e ainda enfrentam a discriminação e o preconceito. Tópicos como: violência, abuso sexual, liberdade reprodutiva, orientação e assédio sexual hoje transcendem as cátedras universitárias e se perfilam como temas de abrangência social.
Matérias polêmicas - antes tratadas como temas distantes dos espaços de atuação social - começam a ser vistas em espaços de direito ocupados pela sociedade civil organizada e trabalhadas desde uma ótica mais ampla, direcionada para temáticas e relações mais íntimas, vinculadas ao corpo e aos afetos. Estes processos de apoderamento e reivindicação visibilizam os espaços e os instrumentos de poder que influenciam a determinação do sujeito, sua sexualidade, sua moral e seus desejos.
A luta dos movimentos que reivindicam a visibilidade da mulher de orientação sexual homolésbica enfrenta hoje uma dupla batalha: uma frente à sociedade patriarcal, determinista, estruturalista, centrada na figura da dona de casa submissa ao esposo, mãe dedicada, despojada de autonomia econômica e liderança social. A outra dificuldade dessas mulheres - que lutam por seus direitos ao amor e ao afeto, é encontrar apoio e solidariedade junto a outros que lutam por direitos semelhantes, e que levam a mesma bandeira colorida do arco-íris como símbolo de unidade e diversidade.
O processo de visibilidade das mulheres trás consigo a necessidade social de uma análise dos discursos e das práticas em todos os níveis. Os dogmatismos sexuais devem ser expostos, apontados, trabalhados e mobilizados para que a visibilidade seja plena, não somente na área pública, mais sim na sua representação mais importante; a que cada sujeito leva dentro de si, em seus atos e não somente em suas palavras.
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