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Adriana Miranda Campana O Estudo do Idoso: Religiosidade e Saúde RESUMO [INTRODUÇÃO] O homem, especialmente o adulto idoso geralmente busca na religião conforto, força interior e fé para enfrentar a longevidade e suas conseqüentes perdas. Na fé o indivíduo pode encontrar respostas para entender e enfrentar os dilemas da existência humana. O objetivo deste estudo foi caracterizar a religiosidade de idosos e suas relações com a saúde, enfocando as possíveis diferenças de gênero e classe social. MÉTODO] Os participantes compuseram dois grupos de idosos de ambos os gêneros, com no mínimo 70 anos de idade e 20 anos residindo na cidade de Mogi das Cruzes, sendo um grupo considerado como de destaque na sociedade local e outro grupo considerado como de pessoas comuns. O instrumento utilizado foi um roteiro de entrevista semi-estruturada, contendo questões acerca da religião em que foi educado, bem como sua religiosidade atual, se atuante ou não em algum tipo de instituição religiosa, motivos que o levam a oração e a importância que sua religião teve ao longo de sua vida, também foram argüidos sobre sua saúde. [RESULTADOS/DISCUSSÃO] A maioria dos participantes mantêm na velhice a religião em que foi educado e reza sistematicamente. A maior parte das mulheres e muitos homens trabalham em grupos ou atividades específicas da igreja. Tendem a considerar sua saúde regular ou boa. [CONCLUSÃO] A conclusão está dependendo do término da análise de dados mas já pode-se antecipar que a religiosidade ocupa um papel importante vida dos idosos independentemente de gênero e grupo.
INTRODUÇÃO Cada vez mais a religiosidade desperta mais interesse entre os estudiosos das várias ciências. O ser humano, especialmente o adulto idoso busca na religião conforto, “força interior” e fé para enfrentar a longevidade e suas conseqüentes perdas. Teóricos do desenvolvimento tendem a concordar que, a partir da meia idade, os indivíduos passam a dar maior atenção aos aspectos internos do self, e que isso abre caminh o aos sentimentos e comportamentos religiosos. Jung, juntamente com outros nomes importantes como o de W. James, Allport, Maslow e Fromm, também destacaram o importante papel da espiritualidade na vida das pessoas, principalmente na meia-idade e na velhice. O homem, diante dos mistérios da vida, especialmente da morte, encontra na religião um meio mais consistente de obter explicações. É incontestável que a religiosidade reside no homem, seja na busca de esclarecimentos, seja na própria resposta aos mistérios da vida. (Bacelar, 2002) Espera-se que as crenças religiosas de alguém lhe forneçam força, tranqüilidade interior e fé, com as quais pode contornar os problemas da vida. A religião ou a espiritualidade pode fornecer uma base de apoio para que alguém viva a sua vida, o que inclui rituais, orações, exercícios espirituais, certos princípios de conduta diária, e assim por diante. (Atkinson e Murray, 1989). Neste ponto é importante destacar a diferença entre religiosidade e espiritualidade, assuntos com inúmeras definições. Azambuja (1984 apud Sadigursky e Oliveira, 1984), define religiosidade como o ato de seguir determinada religião, que é um sistema de apoio para pessoas que vivenciam situações de crise. Enquanto que Atkinson e Murray (1989), afirmam que a religião é uma crença no sobrenatural ou na força divina que tem poder sobre o universo e comanda a adoração e a obediência. Em contrapartida segundo Abercrombie (1984 apud Figueira, 2003) dentre as diversas definições sobre religiosidade na sociologia, religião é um sistema de crenças e rituais com referência ao sagrado, que vincula as pessoas em grupos sociais, mas que não se trata de coisas sobrenaturais, o natural e o sobrenatural estão mesclados e é descartada também a idéia de que religião é algo estritamente relacionado à idéia de Deus, pois há religiões que tem noção diferente de Deus, como por exemplo, o budismo. Outra definição, na sociologia, é a de que religião é o conjunto de respostas coerentes aos dilemas da existência humana – nascimento, enfermidade ou morte – que dá sentido ao mundo. Assim sendo, a religião é a resposta humana ao sentido último das coisas, o que implica em dizer que todos os seres humanos são desta forma religiosos, posto que todos enfrentam tais problemas existenciais (Figueira, 2003). O dicionário da língua portuguesa Aurélio (1993) define espiritualidade como algo relativo ao espírito, a parte imaterial do ser humano, a alma. Para Borges, Fleck e Rocha (2003), a espiritualidade coloca questões a respeito do significado da vida e da razão de viver, não limitando-se a alguns tipos de crenças ou práticas. Sendo assim, indiferente da nomenclatura, espiritualidade ou religiosidade, o que se percebe é que o homem vive em constante busca por algo a se prender, a se acreditar. Isto comprovasse com o grande número de pessoas que buscam conforto e respostas, seja em instituições religiosas ou simplesmente no apego à fé independente da classe social, raça ou qualquer outra distinção imposta pela sociedade. E esta crença acentuasse no envelhecer, assim como afirma Sadigursky e Oliveira (1984) citando autores como Murray (1985), O'brien (1982) e Shelly (1978) que admitem que o envelhecer acentua o sentimento de religiosidade na vida dessas pessoas, funcionando a religião como uma espécie de elemento capaz de liberar, até certo ponto, angústias e tensões, ajudando-as a encarar o futuro com um pouco mais de esperança. Diante do aumento desse sentimento dos idosos podemos supor que, ou ocorre uma mudança em direção à religiosidade por ocasião da meia-idade, ou os comportamentos religiosos que o sujeito já possuía adquirem maior significado e importância à medida que ele envelhece. (Goldstein e Neri, 2002). E esse apego comprovadamente pode trazer ganhos ao indivíduo, principalmente no que diz respeito à saúde do idoso. Gonçalves, Ferraz e Giglio (2001) citam estudos que comprovam a influência da religiosidade na saúde, como Zuckerman (1984) que em pesquisa realizada constatou que pacientes velhos com alto índice de religiosidade tinham uma sobrevida maior do que os pacientes que não tinham religião. Também Holland (1997) que refere trabalhos onde 95% dos pacientes com câncer encontram na religião e na crença religiosa alguma importância para o enfrentamento durante o processo da doença e por fim, Baider (1983), que faz citação de estudos realizados em Jerusalém, sobre os aspectos religiosos e crenças espirituais, que tem por intenção avaliar a influência da religiosidade na qualidade de vida de pacientes com câncer de mama, e entre esses estudos, foi constatado que pacientes que apresentavam um alto escore de religiosidade obtiveram menores índices de ansiedade durante o tratamento. É importante ressaltar ainda que, com o aumento da longevidade, há entre os psicólogos um aumento no interesse pelo estudo científico dos tópicos: religião e espiritualidade. Em função disto se inclui o estudo da espiritualidade/religiosidade nesta pesquisa sobre idosos. OBJETIVOS Os objetivos do trabalho foram: Caracterizar a religiosidade dos participantes; Verificar a avaliação subjetiva do “estar são” ou “estar doente” e Verificar se existe diferença na religiosidade entre os grupos estudados. MÉTODO Participantes Esta pesquisa foi realizada com grupos de idosos moradores da cidade de Mogi das Cruzes, com idade acima de 70 anos de idade, sendo um grupo considerado como de destaque na sociedade local (GA) e o outro grupo considerado como de idosos sem destaque (GB). MaterialTratou-se de uma entrevista semi-estruturada, elaborada para coleta, uma vez que no levantamento da literatura disponível não se encontrou nenhum instrumento já validado. Também utilizou-se um termo de consentimento livre esclarecido. ProcedimentoApós a leitura do termo de consentimento livre esclarecido a coleta foi realizada por meio de entrevistas individuais de maneira informal. Vale ressaltar que o material foi autorizado pelo Comitê de Ética da Universidade de Mogi das Cruzes, parecer número 061/2003. CONCLUSÃOAntes de iniciar as conclusões, vale lembrar que procurou-se nesta pesquisa, estudar a avaliação subjetiva do “estar são” ou “estar doente” dos participantes, avaliação esta que segundo Néri (2001) depende de critérios pessoais, dos valores e expectativas individuais e sociais do indivíduo. E cabe também, antes de mais de nada fazer algumas considerações importantes no que tange as referências bibliográficas. Ainda que a autora tenha feito diversos levantamentos da literatura, principalmente outras pesquisas já realizadas sobre o tema em questão, os trabalhos encontrados em língua portuguesa foram muito poucos. Esse escasso número de trabalhos referentes ao tema abordado pode estar ligado a talvez poucos estudos realizados com a faixa etária do adulto idoso, pois encontrou-se muitos trabalhos sobre religiosidade ora voltados especificamente à religiões, trazendo discussões sobre doutrinas o que não era o objetivo deste trabalho, ora voltados a populações divergentes a utilizada nesta pesquisa. O tema religiosidade tem sido um assunto de atual crescimento na área científica e da saúde, porém, ainda pouco discutida por estes profissionais e desta forma pouco publicadas. Outro ponto a ser destacado é o número de participantes utilizados nesta pesquisa. Ao todo foram 40 quarenta participantes, número pequeno para se generalizar dados, entretanto, isso se deu pela dificuldade de se encontrar idosos com idade acima de 70 anos. Entretanto, mesmo com essa amostra foi possível se considerar dados muitos importantes e que são merecedores de conclusões significativas e estudos posteriores, pois apresentam dados relevantes à ciência não só da psicologia. Um desses dados é referente a participação da amostra nas atividades da igreja, bem como freqüência e leituras de assuntos ligados à religiosidade. Constatou-se que o grupo A tem mais participação na igreja, não uma diferença muito grande entre os grupos, porém, que chamou a atenção, pois foi contrário às expectativas iniciais, pois se pensava numa participação maior dos integrantes do grupo B, talvez pela maior incidência e divulgação de participação das pessoas de nível social menos favorecido em rituais e cultos religiosos, divulgação essa que em geral nos fazem pensar que essas pessoas são mais devotas que as de nível mais favorecido. Por outro lado, contatou-se também que entre as participações do grupo B, isso se dá mais em atividades de devoção, como canto em coral, visitas à doentes como forma de consolo e ajuda espiritual e o grupo A já participa em atividades também neste sentido, mas em sua maioria para organização de festas e eventos em benefício da igreja. No tocante a saúde da amostra ligada a sua religiosidade foi possível perceber que decorrente da ligação que possuem com o sagrado, sem distinção de religião, percebem sua saúde como sendo boa ou regular “graças a Deus”, fala esta, utilizada pela maioria dos participantes, principalmente do grupo B, quando indagados sobre esse assunto. Nesse sentido, como esta pesquisa não tinha como objetivo direto acompanhar e analisar a saúde da amostra e a partir disso fazer uma analogia com suas crenças, não foi possível, verificar e constatar o quanto o fato de acreditarem em uma força superior influencia em sua saúde, todavia, cabe aqui outra sugestão de pesquisa para que a ciência amplie os conhecimentos voltados para a espiritualidade do ser humano.
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