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Marcus Vinicius Pereira de Oliveira Obs: Marcus Vinicius P. Oliveira - Psicólogo organizacional e especialista em Qualidade & Produtividade. Palestrante e consultor de empresas e na área de comportamento organizacional. Idealizador de treinamentos e palestras musicadas para empresas (workshows). Autor do livro de bolso "O passo além da competição". Diretor da Liner Consultoria.
Compreender o que realmente significam as mudanças organizacionais é um passo crucial para as empresas e seus gestores. É preciso identificar suas profundidades e extensão de forma que sejam sustentáveis e tenham o caráter de valor coletivo. A falta de significado para as mudanças, mudar por mudar, apenas nos leva a ser os mesmos. Acredito que na primeira pergunta já temos algo fundamental a se discutir: o que é mudar e o que é aprimorar? Entendo que mudar é algo que possa tornar o objeto diferente de suas características iniciais ou da sua localização dentro do tempo e do espaço. Quando isto acontece, normalmente, as pessoas encaram de forma natural ou aceitam. O mais difícil é administrar discursos onde várias coisas são faladas e nada de concreto acontece, o que é a maior parte dos casos nas empresas. As mudanças empresariais não estão alicerçadas exatamente a um momento de crise de mercado ou situação de instabilidade político-econômica. As mudanças são sempre de ordem interna, estão relacionadas ao tempo de cada organização e não exatamente aos cenários. Confunde-se mudança com adaptação. No Brasil, a maior parte das empresas caminha pelos campos da adaptação e, por isso, o tema mudança é algo que se identifica com uma falácia. Todas as empresas falam em mudanças, mas não saem do lugar. A repetição deste comportamento acaba por construir um extrato cultural altamente prejudicial às necessidades do mundo pós-industrial, pois produz pessoas altamente resistentes, cujo discurso não é compatível com a prática. Todos os momentos exigem cuidados, mesmo na euforia, pois não temos o controle das contingências. Porém, a diferença entre acionistas e empreendedores está em sua atitude, na sua capacidade de decidir e construir, a partir do presente, um futuro melhor. Empreender não é um exercício tecnocrático. Em primeiro lugar abordando de forma clara a sua estratégia: o que se quer, como deseja conseguir, por que é importante esta conquista e como deseja estar em um determinado espaço de tempo. Sem estes elementos, qualquer comunicação não se desenhará como uma declaração honesta. Daí é possível se descolar dos cenários como um elemento de definidor das ações e realmente construir o futuro, baseado nas ações do presente; com todos os envolvidos conhecendo as vantagens e os riscos inerentes a qualquer processo de mudança. Esta é a regra do jogo e não tenha dúvida que seja lá qual for o resultado, o crescimento profissional existirá. Dependerá das relações anteriores já estabelecidas entre empresa e funcionários e da cultura organizacional presente. Entretanto, a linha da honestidade e da clareza deve sempre ser mantida. Nem sempre é assim que acontece, pois sob o aspecto da empresa, como instituição, também existe um medo de perda de controle em função das novidades inerentes ao próprio processo de mudança. É fundamental imaginar que cada empresa ou segmento poderá ter suas particularidades. Isso dependerá de cada mercado, das condições de competição e das estratégias estabelecidas. Por exemplo, se as estratégias de uma determinada empresa é de preço (menor custo), RH deverá ter papel fundamental como facilitador da padronização de processos. Em uma empresa calcada em pesquisa e desenvolvimento, a gestão do conhecimento deve ser um dos pontos-chave da preocupação de RH, assim como a manutenção de talentos. Enfim, o papel de RH deverá variar de acordo com a estratégia estabelecida pela empresa. Ele deve ter a flexibilidade de quem dança com elefantes e formigas. As questões relativas ao aumento de produtividade e de redução de custos. O temor é que este processo tende-se a reduzir o quadro de pessoas, uma vez que a relação básica nestas contas é de mão-de-obra e não cabeça-de-obra. Para esta questão, cabe uma outra pergunta: Será que o RH deve evitar ou compreender as resistências para permitir a aproximação e as convergências? Evitar a resistência é um caminho disfarçado para a manutenção do status quo - tudo como sempre foi, em sua essência. Não enfrentar a resistência de forma corajosa e compreensiva é conversa pra boi dormir. Já passamos da hora de mudar as nossas empresas e instituições públicas, caso não queiramos conhecer seus maiores efeitos econômicos e de qualidade de vida em um futuro próximo.
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